Beata Maria Clara: “A santidade é a meta da vocação cristã”

A Diocese de Lisboa acolheu a beatificação da Irmã Maria Clara, com o Cardeal-Patriarca a apontar a santidade como “a meta da vocação cristã”. No Estádio do Restelo, dez mil pessoas quiseram testemunhar a primeira beatificação na cidade de Lisboa.
A manhã de sábado, dia 21 de Maio, foi diferente no Estádio do Restelo. Lisboa recebia, pela primeira vez, uma celebração de beatificação. Era a Irmã Maria Clara do Menino Jesus, fundadora da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (CONFHIC), que estava a ser elevada aos altares. Presentes estavam religiosas de muitos países onde a maior congregação feminina portuguesa está presente: Angola, Itália, Brasil, Timor, Filipinas, América do Sul e do Norte, Índia, Moçambique e Espanha. Cada país estava representado por uma bandeira, transportada por uma religiosa, dando assim uma diversidade de cores à beatificação. 
Antes ainda do início da celebração, a miraculada Georgina Troncoso Monteagudo, espanhola de 83 anos que ficou curada de um pioderma gangrenoso em 2003, deu o seu testemunho sobre o milagre que obteve por intercessão da Irmã Maria Clara e que conduziu à beatificação da religiosa lisboeta. “Quero agradecer por estar curada e pedir a todos que tenham muita fé”, afirmou Georgina.
A cerimónia de beatificação da Irmã Maria Clara contou com a presença de 24 bispos portugueses e mais de 200 padres e diáconos. Depois de lida a Carta Apostólica pelo representante do Papa, o Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, é descerrada a imagem da nova beata e conduzida ao altar a relíquia – a falange de um dos dedos – da Irmã Maria Clara. Um grupo de crianças de várias paróquias de Lisboa, em especial de Benfica, onde a religiosa foi baptizada, associou-se à festa de beatificação da fundadora da CONFHIC e no momento em que a relíquia é conduzida ao altar, atiram pétalas de rosa, dando ainda mais colorido à celebração.
A beatificação da Irmã Clara juntou no Restelo milhares de fiéis. Para proporcionar uma participação mais activa na celebração e um maior conhecimento da vida da beata, à entrada do estádio era entregue a cada pessoa um ‘kit’, constituído por um saco azul com o símbolo da beatificação. Nesse saco estava disponível o guião da celebração, um opúsculo intitulado ‘Um coração ao ritmo de Deus’, um lenço com o símbolo da beatificação e a oração para pedir a canonização da Beata Maria Clara.
“A Santidade é a identidade do cristão”
Após o rito de beatificação, o Cardeal-Patriarca de Lisboa lembrou que a diocese se reunia para celebrar “a proclamação da santidade de uma cristã, nascida e baptizada na nossa cidade de Lisboa”. Na sua homilia, D. José Policarpo sublinhou depois o sentido da beatificação: “Esta proclamação lembra a todos os cristãos da Igreja de Lisboa, de modo particular às Irmãs da Congregação que fundou, que a santidade é a meta da vocação cristã; ela exprime a identidade profunda do cristão”.Na reflexão com o título “A Santidade é a identidade do cristão”, o Cardeal-Patriarca falou ainda sobre o que é a santidade. “A santidade é uma experiência humana que só Deus conhece. Ser Santo é viver a vida numa progressiva identificação com Cristo que nos introduz no mistério do amor trinitário. Só mergulhando nesse mistério insondável do amor divino, se pode viver santamente a vida”.
Para D. José Policarpo, “a santidade de cada cristão edifica a Igreja”, da mesma forma que “um Santo é, pela sua vida, um testemunho de que o Reino de Deus é possível”. Por isso, “um Santo exprime sempre a actualidade do amor de Deus na história dos homens” e é chamado “a amar os pobres e aflitos como se fossem o próprio Cristo”.
A nova Beata Maria Clara não foi esquecida na reflexão do Cardeal-Patriarca. “Libânia do Carmo, que tomou em religião o nome de Clara do Menino Jesus, nasceu num tempo singular e sentiu os desafios de ser cristã e de ser Igreja, numa sociedade cultural e politicamente a afastar-se do ideal cristão. As crises sociais e as epidemias da peste indicaram-lhe os pobres como destinatários do seu amor. Mas não esqueçamos a sua ousadia missionária e a sua firmeza, mostrada perante todas as dificuldades com que se foi deparando. E as que encontrou no seio da sua própria família religiosa não foram, certamente, as mais fáceis. Mas não desistir é apanágio dos santos”.
A celebração termina com o hino da beatificação, composto pela Irmã Maria Amélia Costa, e que quer “dar glória a Deus pela pessoa, pela obra e pela vida da Irmã Maria Clara”.
Fiéis visitam túmulo da nova beata
Após a beatificação, o túmulo da Beata Maria Clara foi visitado por centenas de fiéis na sede da congregação, em Queijas, no concelho de Oeiras. Os fiéis não pararam de chegar durante toda a tarde. Todos queriam rezar junto da mais recente beata portuguesa, na casa mãe da CONFHIC.
A festa litúrgica da agora Beata Maria Clara será celebrada todos os anos, no dia 1 de Dezembro, data da sua morte. A Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição quer agora avançar com o processo de canonização da religiosa, mas para isso é necessário comprovar outro milagre.

 

 

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